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Uma expedição off-road em família

Um roteiro de 27 dias pelos cartões-postais mais belos e radicais da América do Sul

Em vez de pular as sete ondas, a família Issler optou por uma maneira bem mais radical de passar o ano-novo reunida. À meia-noite, eles estarão em meio ao Deserto de Atacama, na metade de sua expedição pela América do Sul, denominada Travessia dos Andes. O grupo parte de São Paulo dia 27, rumo a Machu Picchu, no Peru, em um roteiro de quase 9 mil quilômetros. Esta é a segunda expedição que a família faz reunida. Na primeira, realizada no início do ano, o destino foi a Patagônia. Ao todo, rodaram 13.694 quilômetros. "Quando propus a viagem, acharam que eu era louca", conta Milena Issler, de 27 anos, organizadora da aventura. Mas, além de convencê-los a participar, Milena despertou no grupo o gosto pelas expedições de carro. "A viagem foi ótima. Correu tudo tão bem que, quando acabou, decidimos começar a planejar outra."

A Travessia dos Andes será feita em duas Land Rover Defender, com seis pessoas ao todo. Em um dos veículos, vai a família Issler: Milena; seu pai, Bernardo, de 72 anos; seu irmão Marcos, de 25; e a irmã Melissa, de 41, que deve receber o aval do médico esta semana para confirmar sua presença na expedição: ela quebrou o pé direito e está engessada.

No outro off-road vai a família Oliveira: o pai, Oriovaldo, de 61 anos, e seu filho Marcelo, de 35. Oriovaldo tem muitas viagens de carro de longa duração no currículo. Há 23 anos, ele, a mulher e os dois filhos - na época com 8 e 12 anos - rodaram 9.300 quilômetros até o Nordeste. "Fomos dormindo em hotéis e voltamos acampando. Os meninos adoraram", lembra.

Para ele, o melhor de viajar de carro é a sensação de liberdade. "Indo de avião, não conhecemos o lugar. De carro, paramos onde queremos, ficamos o tempo que queremos."

Ao todo, serão 27 dias na estrada, com previsão de chegada em São Paulo em 22 de janeiro. No caminho, o grupo irá passar por paisagens estonteantes, como as do Deserto de Atacama (Chile), do Salar de Uyuni (Bolívia) e da cidadela inca de Machu Picchu (Peru), o destino final da expedição.

Com os Andes como companheiro durante toda a viagem, os aventureiros já sabem que irão enfrentar trechos onde a altitude ultrapassa os 3 mil metros, como em La Paz e em Uyuni, ambos na Bolívia. "A ONG Doutores da Estrada nos apoiou, nos orientando com dicas de primeiros socorros e aclimatação", explica Milena.

A volta deve ser o pior trecho para os motoristas. "Tive informações de que a estrada que leva de Cochabamba, na Bolívia, a Corumbá (MS) é muito ruim, cheia de lama e buracos", diz. Mas eles decidiram enfrentar o desafio por questões econômicas. "Vamos estar com pouco dinheiro. Então, é melhor voltar pelo Brasil."

A idéia, no entanto, é não gastar muito durante a viagem: a previsão é de que cada um despenda algo em torno de R$ 2.500. Para conseguir tal feito, o grupo vai acampar e cozinhar em muitos trechos. "Vamos comprar provisões e combustível extra na Argentina, onde é tudo mais barato. No Chile, as coisas ficam muito caras", diz Milena.

Há apenas uma semana da partida, o grupo está na reta final dos preparativos. E, para quem já está morrendo de inveja dos aventureiros, vai ser possível sentir pelo menos um pouco do gostinho da expedição pela internet. Tudo será documentado e atualizado quase diariamente, com mapas e fotos. O site www.issler.com.br/andes vai hospedar as informações.

E se o carro tiver algum problema? "Estamos levando peças extras e sabemos fazer consertos básicos. Se for algo mais sério, o negócio é rebocar", diz a aventureira. "Por isso é importante fazer esse tipo de viagem em pelo menos dois carros." Palavra de quem conhece.


Fonte: http://www.estadao.com.br/rss/turismo/2005/dez/21/139.htm