O turista que vai a Roma pode até deixar de visitar alguns pontos de destaque, mas nunca o papa. "Se não viu o papa, então não foi a Roma", ensina a sabedoria popular. Na Alemanha, o papel do papa é exercido pela cidade de Munique. Ou seja: quem vai à Copa do Mundo tem a obrigação de dar um pulo em Munique, mesmo que não disponha de tanto tempo. É o lugar em que você vai ver os traços do país inteiro, vai conhecer um pouco das características de cada região alemã. A capital da Baviera - "capital secreta da Alemanha", para muitos - tem o ritmo frenético de uma cidade relativamente grande (1,25 milhão de habitantes), importante economicamente, em que as pessoas andam com pressa, esbarrando umas nas outras, reclamando dos retardatários. Mas, ao mesmo tempo, conta com aqueles simpáticos caipiras, bonachões, faladores, que transmitem a sensação de uma cidade de interior. Andar pelas praças e principais ruas, a qualquer hora e sem preocupação, é extremamente agradável. E, dessa forma, é possível visitar os principais pontos turísticos - o metrô é boa opção e seu uso não é difícil. As paisagens, com as montanhas como pano de fundo, e as belas construções proporcionam sensação de bem estar. As pessoas têm o costume de se vestir de forma elegante, independentemente do dia e do horário. Mas o turista não precisa se preocupar muito com o traje. Os alemães não são tanto de prestar atenção a esse tipo de coisa. Pelo contrário, apesar do glamour, o clima em Munique é informal. Você vai, seguramente, esbarrar, na bela Marienplatz, em algum executivo, de paletó e gravata, deixando escorrer pela boca a mostarda do indispensável salsichão. A Marienplatz, aliás, é um bom ponto de partida para seu passeio. A praça mais querida do povo reúne milhares de alemães e turistas diariamente. Ela tem o privilégio de ser a sede da Neues Rathaus, fabuloso prédio neogótico da nova prefeitura. Às 11 horas e ao meio-dia - de maio a outubro também às 17 horas -, pontualmente, os 43 sinos do edifício começam a tocar, como uma caixa de música. Bonecos de madeira se movem no ritmo da melodia. O espetáculo, bem interessante, representa momentos importantes da história, como, no início do século 16, a comemoração dos habitantes de Munique pelo fim da peste que massacrou a população durante cerca de 150 anos. À noite, a Marienplatz se torna local de encontro das famílias e dos amigos após o trabalho. Vale a pena passar algumas horas percorrendo os vários quiosques de salsichão - há vários tipos de wurst, todos saborosos, alguns muito apimentados - e de produtos típicos. O salsichão é, ao lado da cerveja, uma das principais marcas da capital da Baviera. Aparece nos cardápios de quase todos os restaurantes. A cerveja é uma paixão. Munique é o lugar em que mais se bebe na Alemanha: média de aproximadamente 190 litros por pessoa em cada ano. A região da Marienplatz dispõe de ótimos estabelecimentos para o almoço e o jantar. Vários deles típicos, com ambientes rústicos, mesas de madeira e clientes se misturando. Um patrimônio da cidade é a histórica cervejaria Hofbr‰uhaus (leia mais na próxima página). Outro destaque é o Ratskeller. Não faltam bons restaurantes. Há uma porção em todas as zonas da cidade. Duas sugestões: Augustinerbr‰u (na Neuhauserstrasse) e Nürnberger Bratwurst (na Frauenplatz). Se quiser dar prioridade à cerveja e comer apenas petiscos, procure uma das muitas biergartens - a mais famosa é, de longe, a Hirschgarten. Só para lembrar, Munique é sede da anual Oktoberfest, com duração de 16 dias. Ponto Alto
Na parte norte da região central, o principal símbolo da cidade: a Frauenkirche, Igreja de Nossa Senhora, em que Joseph Ratzinger, o papa Bento XVI, foi arcebispo de 1977 a 82. As duas torres da catedral (as torres gêmeas, como são chamadas na cidade) têm o topo em formato de cebola e podem ser vistas a quilômetros de distância. Conheça sua cripta e vá de elevador até as torres. Na Max Joseph Platz, mais uma visita obrigatória: o Nationaltheater, no Palácio Residenz, residência do governo da Baviera entre 1385 e 1918. No quesito história, dois museus merecem destaque: o Nacional da Baviera (um dos grandes museus de arte e cultura da Europa) e o da BMW, onde é possível conhecer um pouco sobre a evolução dos carros. Chamam atenção, também, a Nova Pinacoteca (pinturas e esculturas dos séculos 18 e 19) e a Antiga Pinacoteca (obras marcantes do século 14 ao 18). Mesmo distante do centro, vale gastar algumas horas no Englischer Garten, o Central Park dos alemães (construído em 1789), que, no verão, oferece uma série de atrações, como passeios de barco, quadras poliesportivas, patinação no gelo, pistas de cooper, biergartens e restaurantes. Só tome cuidado com o relógio e a folhinha do calendário. Munique é tão cativante que você pode se esquecer do jogo entre Brasil e Austrália, dia 18 de junho, na Allianz Arena - isso, é claro, se sua prioridade for a Copa do Mundo.
Fonte: http://www.estadao.com.br/rss/turismo/2005/dez/21/120.htm
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